domingo, maio 24, 2015

A VIDA COMO ELA É


Quem diria! O SIM ganhou por 62%. A imagem é do Público.

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sexta-feira, maio 22, 2015

COCHES

 
Abre hoje o novo Museu dos Coches. Por aquilo que a televisão ontem mostrou, o interior é um hangar branco e árido. Não me impressiono com o facto de ter sido desenhado por um laureado com o Prémio Pritzker, o arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha (em colaboração com o português Ricardo Bak Gordon). É deprimente, ponto. Todos sabemos que o actual Governo o manteve fechado dois anos, vazio, com o argumento de que não havia dinheiro para os remates finais, nos quais se incluem a museografia, que talvez fique pronta dentro de sete meses. E dou de barato que não tenha sido construída a ponte pedonal que ligaria o museu à zona ribeirinha, junto à estação fluvial de Belém. A obra custou mais de 40 milhões de euros, mas o dinheiro veio das receitas do Casino de Lisboa.

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quinta-feira, maio 21, 2015

KAFKA PASSOU POR ÉVORA


Não é na Coreia do Norte. É no Alentejo. A imagem é do Diário de Notícias. Clique.

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KAUI HART HEMMINGS


Hoje na Sábado escrevo sobre Um Mundo de Possibilidades, da americana Kaui Hart Hemmings. O livro conta a história de uma mulher que perdeu o filho adolescente durante uma avalanche de neve. O rapaz trabalhava como arrumador de carros no hotel de uma conhecida estância de Inverno, no Colorado. Sarah, 43 anos, uma mãe incapaz de fazer o luto, regressa a Breckenridge ao fim de três meses. Em traços gerais, a grelha narrativa é esta. Ponto de partida para um guião? (O primeiro romance da autora foi adaptado ao cinema por Alexander Payne e ganhou um Óscar na categoria de Melhor Argumento Adaptado.) A título de exemplo, uma frase como «O Dickie é um homem impecavelmente bonito...», deixa o leitor sem grande vontade de prosseguir. A coisa piora quando, em nota de rodapé, a tradutora explica o duplo sentido (na língua inglesa) de Dickie, com diminutivo e tudo. Não havia necessidade. Entretanto, a história de Sarah perde-se numa sucessão de lugares-comuns e episódios prosaicos. Digamos que a literatura tem outra exigência.

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O DRAFT


Estive a ler as 21 propostas do PS, ontem apresentadas. Daqui até 6 de Junho, data da aprovação do programa eleitoral, alguma coisa poderá mudar. Uma das que gostaria de ver alteradas diz respeiro à controvertida descida da TSU. É um erro mexer na TSU. Os trabalhadores por conta de outrem ficariam com mais uns trocos por mês na algibeira, tendo como contrapartida futura pensões de reforma mais baixas. E os patrões não alterariam a sua política de contratação.

Ainda sobre Segurança Social: parece-me contraproducente afectar 10% do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social a um programa de reabilitação urbana. O FEF deve ser intocável, embora todos os governos (repito: todos) usem e abusem dele para apertos de tesouraria. Três boas medidas: 1. A criação de cem novas Unidades de Saúde Familiar. — 2. A reposição do valor de referência do complemento solidário para idosos. — 3. Voltar a requalificar e certificar as competências dos trabalhadores. No capítulo das frioleiras temos a democratização do acesso à Cultura. Neste item, quando falamos de “democratização”, estamos a falar exactamente de quê?

[Imagem: foto de Nuno Ferreira Santos, Público. Clique.]

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quarta-feira, maio 20, 2015

O PAÍS DOS OUTROS


Rui Knopfli (1932-1997), cuja obra poética foi publicada em Portugal pela última vez em 2003, foi agora vertido para castelhano. Luis Maria Marina, poeta e actual conselheiro cultural da Embaixada de Espanha em Lisboa, seleccionou e traduziu poemas de todos os livros do autor: O País dos Outros, 1959, Reino Submarino, 1962, Máquina de Areira, 1964, Mangas Verdes com Sal, 1969, A Ilha de Próspero, 1972, O Escriba Acocorado, 1978, O Corpo de Atena, 1984, e O Monhé das Cobras, 1997, publicado quatro meses antes da sua morte, ocorrida no dia de Natal de 1997, com 65 anos de idade. Por junto, 46 poemas, em edição bilingue. Um prólogo esclarecedor situa Knopfli no contexto da poesia portuguesa do século XX. Em suma, uma bela edição.

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domingo, maio 17, 2015

SEM TÍTULO


Portugal, 2015. Manchete do Diário de Notícias. Clique.

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sábado, maio 16, 2015

PEANUTS


Se isto for assim, a prometida injecção de 300 ou 350 milhões de euros representa cerca de 60% do valor da dívida da TAP. A empresa continuaria com um alto nível de endividamento. Com 350 milhões de euros, o senhor Efromovich não consegue comprar uma mansão num bairro elegante de Londres. E os peanuts (20-35 milhões, o preço de um T1 em Mayfair) que o Estado arrecada, servem para quê? A imagem é do Expresso. Clique.

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sexta-feira, maio 15, 2015

IMPASSE

    Resultado da sondagem divulgada há pouco pelo Expresso. Clique na imagem.

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quinta-feira, maio 14, 2015

HANIF KUREISHI


Hoje na Sábado escrevo sobre A Última Palavra, de Hanif Kureishi (n. 1954), escritor britânico de origem paquistanesa e scriptwriter aclamado. Não esquecer que My Beautiful Laundrette foi o filme que, em 1985, fez de Daniel Day-Lewis uma estrela. Kureishi nunca deixou de filmar, e de escrever teatro, mas nos últimos vinte e cinco anos publicou sete romances e duas colectâneas de contos que o creditam como um dos autores mais consistentes da ficção de língua inglesa. A Última Palavra é a história de um escritor famoso que contrata outro mais novo para escrever a sua biografia. Para todos os efeitos, um roman à clef sobre a vida de V. S. Naipaul, nascido em Trinidad e Tobago no seio de uma família hindu, Nobel da Literatura em 2001, guru incontestado da literatura pós-colonial: «uma forma de contar histórias, de fazer história escrevendo.» Lembrar que Naipaul convidou Patrick French a escrever The World Is What It Is, a sua biografia autorizada, publicada em 2008. Kureishi não se deu ao trabalho de disfarçar. Se Mamoon é um retrato, provavelmente enfático, de Naipaul (arrogância, críquete, sexo, ideologia, opiniões corrosivas sobre escritores e literatura, auto-convencimento, etc.), também Harry parece decalcado de French, que não poupa o seu biografado. Por outro lado, não deixa de ser irónico que Kureishi “transfira” para Harry alguns traços da sua própria personalidade, tais como certa insegurança social ou mesmo as alusões depreciativas ao ensino de escrita criativa. E são justamente as passagens em que Harry é o centro (a lembrança de, ainda rapaz, ter encontrado a mãe na cama com um desconhecido), aquelas em que a narrativa flui com maior conseguimento. O lado negro fica para Mamoon, «o transgressor radical [que] viria a ser proibido de entrar no território de diversos países devido às suas opiniões políticas ou religiosas...» Como decorre de um romance sobre escritores obcecados com outros escritores, a intriga tem o seu quê de incestuoso. Por último: as gralhas são sempre aborrecidas, mas algumas são mais aborrecidas do que outras. Lendo, na página 151, «ele disse que não cria ser privado da jouissance do racismo...», ficamos deveras desconcertados. Cria?

Escrevo ainda sobre Eu não venho fazer um discurso, de Gabriel García Márquez (1927-2014), o colombiano que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1982. O livro colige o conjunto de textos que leu em público, em vários países, entre 1944 e 2007. Exceptuando quatro, os restantes dezassete são posteriores à atribuição do Nobel. García Márquez, o homem que deu uma dimensão própria ao realismo-fantástico (ao arrepio da lenda, não foi ele que o inventou, embora se lhe deva a popularização do género; o “inventor” foi o cubano Alejo Carpentier), abdica da vertigem semântica em favor da oralidade. Os meus preferidos são a evocação de Julio Cortázar, O argentino que se fez amar por todos (1994) e Como comecei a escrever (1970), texto lido em Caracas no qual dilucida o seu modus operandi. Ficamos a saber que Cem Anos de Solidão andou 19 anos a ser pensado antes de o passar ao papel. Também convém ler o que dedica ao jornalismo. Uma nota final indexa os locais, datas e circunstâncias em que cada texto foi lido. Publicou a Dom Quixote.

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terça-feira, maio 12, 2015

PONTO DA SITUAÇÃO


Como vamos de direitos. A infografia é do Público. Clique.

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ONDA CHARLIE

     
    Comentários para quê? Imagem do Diário de Notícias. Clique.

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sábado, maio 09, 2015

A VIDA COMO ELA É


Cameron deu a vitória ao Partido Conservador com 36,9% dos votos expressos e 331 deputados. Miliband, entretido a deixar-se entrevistar pelo humorista Russel Brand, não conseguiu mais que 30,4% e 232 deputados. Nada disto surpreende. Cameron tem carisma, Miliband é boring. Cameron prometeu injectar 11 mil milhões de libras (mais de 15 mil milhões de euros) no Serviço Nacional de Saúde, contra os 2,5 mil milhões de libras (cerca de 3 mil milhões de euros) prometidos por Miliband. Não é um detalhe. Os Lib-Dem implodiram, passando de 57 para 8 deputados. Com maioria absoluta, os tories dispensam a bengala de Clegg.

A grande vencedora destas eleições é Nicola Sturgeon, 44 anos, líder do Scottish National Party e primeira-ministra da Escócia, a mulher que fez subir a representação parlamentar do SNP de 6 para 56 deputados. E o grande derrotado é Nigel Farage, líder do UKIP, a extrema-direita xenófoba, anti UE e anti-imigrantes, que não conseguiu ser eleito (embora o partido tenha obtido um lugar). Enfim, os Verdes também só lá puseram um.

O resultado destas eleições, como antes o das eleições comunais francesas, ilustra de forma clara o desfasamento entre a realidade e os números das sondagens. No Reino Unido, Nigel Farage obteve 4 milhões de votos, igualando o score de Marine de Len em França, que em Março também não passou de 4 milhões de votos, sem conseguir eleger um único presidente de Departamento. Contudo, quem lesse os jornais, mesmo os respeitáveis, dava como certa uma onda xenófoba dos dois lados do Canal. Felizmente nada disso aconteceu. Ficamos a saber que há 4 milhões de fascistas declarados no reino de Sua Majestade, e outros quatro milhões na Pátria de Voltaire, mas a larga maioria de votantes mantém-se fiel aos valores da Europa. Nem tudo está perdido.

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quinta-feira, maio 07, 2015

TERESA VEIGA


Hoje na Sábado escrevo sobre Gente melancolicamente louca, nova colectânea de contos de Teresa Veiga (n. 1945), que regressa após um silêncio de sete anos. Foi no conto que se notabilizou e foi várias vezes premiada. Estamos de novo mergulhados no universo da psique feminina. Da autora pouco se sabe. Teresa Veiga será o pseudónimo literário de uma antiga conservadora do Registo Civil. A linguagem é clara, metódica, sem elucubrações de efeito fácil ou derrame metafísico. As histórias fluem, umas melhor que outras, como de ordinário sucede em todas as compilações de contos, aqui e em toda a parte, sem excluir as referências do género. Um leitor atento dará por ecos difusos de Agustina e Irene Lisboa. A crédito da autora, um agudo sentido de observação: estados de alma, circunstâncias, pessoas, factos e detalhes do quotidiano mais prosaico, seja em cenário de desafogo material ou sob o espartilho da pobreza, latifundiários ou pessoas simples. Por vezes, sem acrescentar mais-valia ao relato, o nonsense dá um ar da sua graça. Há três contos “falsos”: um libertino, um gótico e um policial. Publicou a Tinta da China.

Escrevo ainda sobre Diário da Abuxarda 2007-2014, quinto volume do diário do embaixador Marcello Duarte Mathias (n. 1938), do melhor que no género tem sido publicado em Portugal. Mathias é um ensaísta arguto, sobre quem me parece redundante enfatizar a qualidade da escrita e o alto grau de exigência do crivo analítico. Sirvam de exemplo o notável ensaio sobre Camus, a estreia literária em 1975, bem como o diário italiano de Gorki, obra que ficciona os encontros do escritor russo com Lenine, em Capri, antes da Revolução de Outubro. O volume dá uma perspectiva quase sempre heterodoxa da vida portuguesa: «Em Portugal até as tradições são improvisadas.» Mathias não tem medo das palavras, nem fica tolhido pelas conveniências da carrière, pondo em letra de forma o que pensa sobre política (e políticos citados pelo nome), diplomacia, História, cultura em geral e literatura em particular, tiques e costumes nacionais e estrangeiros. Boa síntese: «Escrever com olhar cinematográfico — cuidar do pormenor sem descartar a visão de conjunto.» É o que aqui sucede. Publicou a Dom Quixote.

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terça-feira, maio 05, 2015

IRREVOGÁVEL


Somos o que escolhemos ser, uma biografia do primeiro-ministro, conta o Verão quente de 2013. O livro foi escrito por uma assessora do grupo parlamentar do PSD e editado pela Alêtheia de Zita Seabra. Passos Coelho: «Fui almoçar e quando ia a caminho da comissão permanente, às 15h00, recebi um sms do dr. Paulo Portas a dizer que tinha refletido muito e que se ia demitir.» Maria Luís Albuquerque: «Foi o Vítor Gaspar que me disse que o Paulo Portas se ia demitir. Eu tomava posse às cinco, o clima era muito tenso. Mas decidi ir para Belém na mesma, uma vez que não tinha informação em contrário.» O lançamento é hoje. Imagem do jornal i. Clique.

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sábado, maio 02, 2015

RUTH RENDELL 1930-2015


Ruth Rendell, uma das mais aclamadas escritoras britânicas, morreu hoje de manhã em Londres. Autora de uma obra muito vasta, também publicou sob o pseudónimo de Barbara Vine. Os leitores viciados em thrillers vão ter saudades do inspector Wexford, protagonista de mais de vinte dos seus livros. Membro vitalício da Câmara dos Lordes, Ruth Rendell bateu-se pela proibição da mutilação genital feminina (a lei foi aprovada em 2003). Infelizmente não resistiu ao AVC que sofreu em Janeiro. Tinha 85 anos.

[Imagem: foto de Colin McPherson, 2012. Clique.]

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O BPN NUNCA EXISTIU


O zapping tem destas coisas. Perto da uma madrugada vi imagens do primeiro-ministro a fazer o elogio enfático de Dias Loureiro. Pensei que o homem tinha morrido. Vejo hoje nos jornais que não. Ainda bem. Continuo sem perceber a razão do elogio, mas também não tem importância. O Expresso não disse há semanas que uma Cristina qualquer era a mulher mais influente de Portugal? (Eu nunca tinha ouvido falar da senhora.) Devo portanto concluir que tudo o que li sobre o BPN são histórias para crianças.

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quinta-feira, abril 30, 2015

IAN McEWAN


Hoje na Sábado escrevo sobre A Balada de Adam Henry, de Ian McEwan (n. 1948), livro inspirado em dois processos judiciais verídicos, bem como na sentença de um terceiro caso. Em pano de fundo, uma lei britânica de 1997, The Children’s Law Act. O título original do romance é mesmo The Children Act. A partir da história de Fiona, Jack e Adam, um triângulo improvável, o autor convoca os equívocos da contemporaneidade numa sociedade multicultural como a inglesa. Como sempre, McEwan tem uma escrita assombrosa de exactidão. Nenhuma palavra ali está por acaso. Escrito na terceira pessoa, os parágrafos sucedem-se sem artifício ou truques retóricos. Com o domínio próprio de quem é justamente considerado um dos maiores autores da sua geração (estamos a falar de pesos-pesados como Julian Barnes, Salman Rushdie e Martin Amis), McEwan nunca deixa resvalar a intriga para o acessório. Juíza no Supremo Tribunal, Fiona trabalha no rascunho da sentença que ditará o futuro de duas irmãs menores, nascidas no seio de uma família Haredi (um ramo ultra-ortodoxo do judaísmo), quando Jack, o marido, professor de História, a confronta sem rodeios com o impasse a que chegou o casamento de ambos. Indignada, faz notar que «o momento de propor uma relação aberta era antes do casamento, e não trinta e cinco anos mais tarde.» Se ele quer «perder a consciência devido à emoção», que o faça sem álibi. Veremos mais tarde de que modo a narrativa subsume a decepção. Parece óbvio que McEwan aproveita a sua experiência na disputa pela custódia dos filhos do primeiro casamento. O plot é deslocado para Adam, doente de leucemia a necessitar com urgência de uma transfusão de sangue. O acto é negado pelos pais, Testemunhas de Jeová, cegos pela interpretação do Génesis («Data da criação do mundo»), alheios ao facto de a proibição datar de 1945. McEwan não descura nenhum pormenor, burilando cada detalhe de forma precisa. Deverá a letra da lei prevalecer sobre princípios religiosos? O dilema moral permite introduzir no romance as digressões do discurso jurídico que determina o evoluir da narrativa. Num primeiro momento, a lei triunfa. Mas um beijo muda tudo.

Escrevo ainda sobre As Raízes do Céu, de Romain Gary (1914-1980), Prémio Goncourt 1956. Trata-se de um romance ambientalista avant la lettre, na medida em que faz a denúncia do extermínio dos elefantes. Diz Gary: «faço empenho em dizer aos leitores que [...] o meu livro trata do problema, para nós essencial, da protecção da natureza...» À época o tema não era comum, como o próprio explica num texto posterior. A inserção, à laia de epígrafes, de excertos de declarações da Conferência de Bukavu, realizada em 1953 no antigo Congo Belga, destinada a alertar a opinião pública para a preservação da fauna africana, é uma forma de vincar as preocupações do autor. Gary, diplomata de carreira, trabalhava então nas Nações Unidas. A acção está localizada na África Equatorial Francesa, onde o autor viveu. Editou a Sextante.

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quarta-feira, abril 29, 2015

INVERSÃO


O PSD abandonou o Governo e passou à oposição? Parece. A imagem é do Público. Clique.

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terça-feira, abril 28, 2015

O PSD PASSOU À OPOSIÇÃO?


Esta gente injecta-se? Imagem do DN. Clique

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sábado, abril 25, 2015

PASSARAM 41 ANOS


Em Abril de 1974, vivendo sob ditadura, Portugal estava em guerra, com mais de duzentos mil homens deslocados em Angola, na Guiné e em Moçambique. Havia fome. A emigração era maçica. A PIDE/DGS fazia o que queria. As prisões abarrotavam de presos políticos. Mais de um milhão de portugueses tinha as suas vidas esmiuçadas em fichas que estão hoje arquivadas na Torre do Tombo e no Centro de Documentação 25 de Abril. O Governo de Caetano punha e dispunha nos Tribunais Plenários. Eram proibidos os partidos políticos. Soares e Cunhal viviam no exílio. A homossexualidade era crime. Notícias, livros, canções, peças de teatro, filmes, conferências, programas de rádio e televisão, etc., eram sujeitos ao crivo da censura prévia. Apenas 40% do território nacional dispunha de electricidade. O Banco de Portugal tinha os cofres cheios. Thomaz era uma figura de retórica.

Em Abril de 2015, o BdP continua a ter os cofres cheios. Porém, a fome e a emigração persistem. O desemprego é uma mancha que alastra. Cavaco é uma figura de retórica. O grande mistério: quatro quintos da população (número que inclui muita gente de Esquerda) continua a pensar e a agir e a deseducar os filhos como fazia em 24 de Abril de 1974. É triste.

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VISTO PRÉVIO


É uma ironia que, na véspera do 41.º aniversário do golpe de 25 de Abril, três partidos tenham tentado formalizar um projecto de lei de censura aos media. A coisa abortou, mas todos saem mal na fotografia. Abortou não porque tenha vingado o bom senso dos deputados envolvidos. Abortou porque o Diário de Notícias, o Expresso, o Correio da Manhã, o Público, a Visão, a Sábado, a SIC, a TVI, a Rádio Renascença, etc., decidiram não cobrir as eleições se o projecto de lei fosse aprovado. Felizmente, a patetice durou 24 horas. A imagem é do Público. Clique.

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sexta-feira, abril 24, 2015

RICHARD FLANAGAN


Ontem na Sábado escrevi sobre A Senda Estreita para o Norte Profundo, do australiano Richard Flanagan (n. 1961), que com este romance ganhou o Man Booker Prize 2014. O plot ficciona factos históricos concretos, o que não é novidade. Toda a obra de Flanagan, a ficcional como a ensaística, parte da realidade, com particular enfoque no colonialismo britânico e, por extensão, no estatuto da Tasmânia, a ilha-Estado (sob jurisdição australiana) onde nasceu, cresceu e abandonou os estudos ao completar 16 anos de idade. A Senda Estreita para o Norte Profundo é um relato de barbárie. No início dos anos 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão começou a construir uma via-férrea entre o Sião e a Birmânia, ou seja, entre os países hoje conhecidos por Tailândia e Myanmar. É então que Dorrigo Evans, jovem cirurgião australiano, se torna o prisioneiro n.º 335 do campo que forneceu duzentos mil homens, um terço dos quais ocidentais, para trabalharem como escravos na Ferrovia da Morte. Flanagan descreve o horror (vivissecção de prisioneiros, por exemplo) sem piruetas semânticas, numa escrita limpa de enxúndia. A primeira frase dá o tom: «Porque é que no começo das coisas há sempre luz?» Isento de auto-complacência, o romance ficciona a vida do pai: infância, aventuras amorosas, paixão, casamento, adultério, a guerra, escravo dos japoneses, a Linha («desmontada e vendida à peça» no fim do conflito), o Japão submerso em poeira radioactiva, os americanos, libertação e regresso à Tasmânia. Uma epopeia admirável.

Escrevo ainda sobre a reedição de Os Sete Loucos, do argentino Roberto Arlt (1900-1942), obra que antecipa a Revolução de Setembro de 1930, apoiando-se nos monólogos interiores de personagens à deriva na sua própria derrisão: «Os senhores sabem melhor do que eu que, para se ser deputado, há que ter tido uma carreira de mentiras, começando como vadio de comité...» Entretanto, o leitor é surpreendido com o aparecimento, em notas de rodapé, de um “comentador” que comenta factos posteriores à edição original. Com base em que edição se traduziu o livro? Filho de emigrantes pobres (o pai, prussiano, nascido em território que hoje pertence à Polónia; a mãe oriunda do Império Austro-Húngaro), Roberto Arlt acedeu à literatura pela porta do jornalismo. Autodidacta, frequentador das vanguardas, certo visionarismo e uma aguda percepção da crise de valores dos anos 1920 fizeram dele um dos fundadores da moderna literatura argentina. Publicou a Cavalo de Ferro.

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quinta-feira, abril 23, 2015

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Hoje, Dia Mundial do Livro, estarei na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. Quem viver nas redondezas e lhe apetecer, será bem-vindo.

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quarta-feira, abril 22, 2015

CARTAS NA MESA


A histeria dos porta-vozes do PSD/CDS (e respectivos acólitos nos media) acerca do documento Uma Década para Portugal, ontem divulgado, prova que, qualquer que seja a nossa opinião acerca do estudo coordenado por Mário Centeno, podemos finalmente discutir uma alternativa à política actual. Não queriam saber o que o PS fará quando for Governo? Agora já sabem. A quem diz que Costa promete mundos e fundos, lembrar o óbvio: salvo abolir a sobretaxa introduzida em 2011, o documento não prevê mexer nas tabelas do IRS. Prevê, isso sim, utilizar melhor essa gargantuesca fonte de receitas do Estado. A imagem do DN mostra Costa e Centeno, um homem que gostaria de ver como ministro das Finanças de um futuro Governo.

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